Trabalho feito por: Iago Vinícius Avelar Souza, Marcos Martins, João Paulo Campos e Luis Fellipe Menezes.

AS REPRESENTAÇÕES COLETIVAS E A CONSCIÊNCIA COLETIVA PARA DURKHEIM

Durkheim possui traços característicos tanto em seu pensamento quanto na maneira de expressar-se. A maioria dos seus conceitos não são compreendidos por serem ambíguos e pouco comuns e por isso seu pensamento foi e é alvo de objeções no meio acadêmico.
Este sociólogo ainda nos interessa, pois os problemas que foram colocados por ele ainda são os mesmos problemas propostos pela sociologia contemporânea. Sendo assim, este autor enfrentou as mesmas dificuldades que os sociólogos de hoje enfrentam para a solução dos problemas da sociologia.
Cabe agora estudar dois importantes conceitos de Durkheim: a consciência coletiva e as representações coletivas. Entenderemos aqui o que são estes conceitos, como se relacionam e até onde são considerados certos.
Consciência coletiva é um dos conceitos mais utilizado por Durkheim em sua obra “Da divisão do trabalho social”. Nesse livro, ele define a consciência coletiva como “o conjunto de crenças e sentimentos comuns ao comum dos membros de uma determinada sociedade que forma um sistema determinado com vida própria” “[...] a totalidade das semelhanças sociais” (DURKHEIN, Emile. Da divisão do trabalho social. p. 46-47). Quando ele emprega esse significado a este conceito ele não faz distinção de consciência com relação a instancia moral ou percepção de algo, que da a este conceito uma certa ambigüidade.Segundo ele, a consciência coletiva é propagada em toda a sociedade e ainda possui características singulares que a tornam uma realidade própria. Ela não depende das condições individuais, pois os indivíduos morrem e ela perpetua agindo sobre os demais. Apesar da consciência coletiva e a consciência individual serem formadas pelos mesmos elementos elas são diferentes. Segundo o autor, “A última resulta da natureza do ser orgânico psíquico tomado isoladamente, e a primeira, da combinação de uma pluralidade de seres dessa natureza” (DURKHEIN, Emile. Regras do método sociológico. p. 127-128).
Contudo, depois deste livro, Durkhein quase não utilizou mais esse conceito. Existem duas prováveis razões para que ele tenha abandonado-os:
A primeira razão é que quando ele escreve “Da divisão do trabalho social”, quer tratar da consciência coletiva como fenômeno raro nas sociedades contemporâneas. Sendo assim, a consciência coletiva “é apenas uma parte bastante restrita” (DURKHEIM, Emile. Da divisão do trabalho social. p. 46) das sociedades atuais. A divisão do trabalho está “cada vez mais preenchendo o papel que anteriormente cabia à consciência comum; é o que congrega, mais do que qualquer outra coisa, os conjuntos sociais de tipo mais avançado” (DURKHEIM, Emile. Da divisão do trabalho social. p. 148). Este é um conceito ligado ao modo de coesão de sociedades primitivas, caracterizadas pela semelhança social e por uma lei repressiva e punitiva que serve para reforçar a solidariedade e a coesão dessa forma de organização social. Durkheim abandonou este conceito porque passou a estudar o que ele considerava como papel fundamental das crenças e sentimentos coletivos - especialmente da moral e da religião - em todas as sociedades.
A segunda razão é que este conceito não tinha relação com o objetivo de seus estudos após p término de sua obra “Da divisão do trabalho social”. O objetivo era analisar como os indivíduos se ligavam à sociedade e como eram controlados por ela; como as crenças e os sentimentos coletivos eram impostos; como afetavam e como eram afetados por outros fatores da vida social; e como estes eram mantidos e reforçados. O conceito de consciência coletiva não possibilitava diferenciar crenças cognitivas e crenças morais ou religiosas, o conceito era muito abrangente e estático, por isso, para fazer essas distinções, Durkheim utilizou de outro conceito chamado “representações coletivas”.
Para melhor direcionar seus estudos a respeito da consciência coletiva – pois este era muito amplo – e construir distinções entre vários conceitos como crenças e sentimentos, Durkheim aplica o conceito de “representações coletivas”.
O autor concebe a idéia e começa a empregá-la por volta de 1897, quando cita que a “a vida social é feita essencialmente de representações” (DURKHEIM, Emile. “O Suicídio”, p. 352). Definindo o conceito, as representações coletivas revelam “estudos de consciência coletiva”, que são diferentes do estado de “consciência individual”. Essas representações explicam a maneira como o grupo compreende a sai mesmo no que diz respeito às suas interações e com “os objetos que os afetam” (LUKE. Steven, “Bases para a Interpretação de Durkheim, in: Sociologia: Para ler os clássicos, p. 18).
Entretanto, esta teoria apresenta dois problemas: a primeira aponta tanto a maneira como o conceito de representação a que se refere (pensar, perceber, conceber), “quanto ao que é pensado, concebido ou percebido” (LUKE, Steven. “Bases para a Interpretação de Durkheim, in: Sociologia: Para ler os clássicos, p. 18), entre outros, mitos, lendas populares, concepções religiosas. “Segundo, a representação é coletiva tanto em sua origem, que determina o modo ou forma da mesma, quanto m sua referência ou objeto (também é coletiva [...] por ser comum aos membros de uma sociedade ou grupo)” (LUKE. Steven, “Bases para a Interpretação de Durkheim, in: Sociologia: Para ler os clássicos, p. 19). Dessa forma, o autor explicita que as representações coletivas são produzidas socialmente e se referem à sociedade.
Durkheim apoiou-se bastante ao que denominou “realidade independente das representações coletivas”. Os “estados mentais individuais, ou representações individuais” ” (LUKE. Steven, “Bases para a Interpretação de Durkheim, in: Sociologia: Para ler os clássicos, p. 19) possuem suas características próprias, relativamente autônomas e, de acordo com suas próprias regras, podem influenciar umas as outras e combinar-se. Também pontuou que a representações coletivas são o resultado da essência de indivíduos associados, mas que “[...] não podem ser reduzidas nem inteiramente explicadas pelas características dos indivíduos: possuem características sui generis” (Luke, Steven, “Bases para a Interpretação de Durkheim, in: Sociologia: Para ler os clássicos, p. 19). Possuindo um alicerce inicial de representações, estas tornam-se parcialmente independentes, a partir do momento em que guiam-se, com a capacidade de se atrair ou de se repelir e produzir novas representações.
Por fim, sugere a criação de uma vertente especial de sociologia “dedicada a estudar as leis da produção coletiva de idéias” (psicologia social), procurando investigar por meio da comparação de “temas místicos, lendas, tradições populares e línguas, os modos pelos quais as representações sociais se atraem e se excluem como se fundem ou se tornam distantes.” (LUKE, Steven, “Bases para a Interpretação de Durkheim, in: Sociologia: Para ler os clássicos, p. 19 – 20).

Referências Bibliográficas:

COHN, Gabriel. Sociologia: para ler os clássicos. Azougue Editorial. 2005. 176p.
FALTAM AS OUTRAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. FALTOU EXPLICAR MELHOR O PORQUE DAS CRÍTICAS AO CONCEITO, A DIFERENÇA ENTRE CONSCIÊNCIA E REPRESENTAÇÕES. E A HERANÇA DO CONCEITO (REPRESENTAÇÕES SOCIAIS)...