UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Curso de Ciências Sociais
Disciplina: Sociologia I
1° Período / Diurno
Prof.: Yurij Castelfranchi
Grupo: Fabiene Fernandes, Fernanda Mara, Marcela Petter, Priscilla Mello e Juliana Felix.
Data: 09/12/11



O que é racionalização, como funciona o desencantamento do mundo?
O tema proposto trata de um estudo de um clássico da sociologia, Max Weber. Jurista, economista e sociólogo, nasceu em 1864 e morreu em 1920 na Alemanha. Suas idéias, em certo grau de relativismo, contribuíram para a criação de um novo modelo de pesquisas sociológicas, capaz de não somente identificar, mas principalmente compreender as ações sociais dos indivíduos. Para Weber, a desmagificação (desencantamento) do mundo faz parte de um processo de racionalização. “A racionalização e o conseqüente desencantamento do mundo, fazem parte de uma dimensão pessimista do ponto de vista weberniano, onde o sentido em que o processo de evolução vem ocorrendo é tal que limita cada vez mais o alcance das escolhas efetivas abertas aos homens” (Quintaneiro,1995, p. 131). A necessidade de transcender ao mágico, ao sagrado e tornar as coisas do mundo calculáveis, levaram a essa racionalização. Segundo Weber, o primeiro impulso de racionalização se deu pela religião, pela necessidade de se explicar racionalmente o sagrado, inicialmente caracterizado pelas primeiras religiões monoteístas (católica e judaica).
A Racionalização
Weber acreditava que a extrema racionalização do conhecimento e das maneiras de se agir se davam apenas no ocidente. “Apenas no Ocidente existe uma ciência num estágio de desenvolvimento que reconhecemos, hoje, como válido. O conhecimento empírico, as reflexões sobre o universo e a vida, a sabedoria filosófica e teológica das mais profundas não estão aqui confinadas” (Weber, 1905,p.3) Mesmo que diversos desses conhecimentos não tivessem se formado no ocidente, se tornaram calculáveis nele. A matemática, mecânica, a física, a medicina, o pensamento político, as leis, a música, a arquitetura, as instituições educacionais e o próprio Estado, são frutos dessa racionalização Ocidental. Considerava-se que alguns conjuntos de valores que passaram a serem difundidos em algumas seitas religiosas ocidentais foram fundamentais para a transformação das praticas econômicas e para a constituição da estrutura das sociedades modernas, sendo então um estudo das religiões fundamentais para o processo de racionalização. Levando em conta que esses valores e práticas passavam a caracterizar uma conduta social. “Em outras palavras, estimular uma intensificação da racionalidade metódica, sistemática, do modo de levar a vida, e uma objetivação e socialização racional dos ordenamentos terrenos.” (Quintaneiro, Barbosa, 1995, p 126). Weber prova isso analisando o ascetismo religioso, como os ascetas procuravam participar dos processos do mundo ficava condicionado e controlar seus impulsos individuais e a sistematizar seus meios de vida. Essa sistematização de conduta analisadas principalmente no protestantismo racionalizava de tal forma a conduta que seus reflexos podiam ser vistos na economia. Para ele, o capitalismo, sendo uma forma racional de se controlar o impulso mundano por lucro, teve um propulsão impressionante a partir da ética protestante, que visava o trabalho, a produção de riquezas e uso racional delas. O que Weber faz aqui é uma referência à necessidade de se questionar a unilateralidade da tese materialista, complementando-a com outras vias de interpretação, nesse caso, a relação entre uma ética religiosa e os fenômenos econômicos e sociais, ou melhor, os tipos de conduta ou de modos de agir que possam ser mais favoráveis a certas formas de organização da esfera econômica e a uma ética desta.COPIADO E conclui: “Sempre que a direção da totalidade do modo de vida foi racionalizada metodicamente, ela foi profundamente determinada por valores últimos religiosamente condicionados. Através da análise de uma das direções em que evolui a esfera religiosa no sentido de uma racionalização crescente, Weber encontrará a base para explicar o predomínio de concepções e práticas econômicas racionalizadas nas sociedades ocidentais. A autonomia da instância religiosa é o pressuposto para que se considere o desenvolvimento das doutrinas e dos sistemas de explicação religiosos a partir da lógica de funcionamento do seu próprio campo. Não há elementos materiais ou psicológicos que sejam de terminantes desse processo: as relações entre os diversos agentes religiosos são o fundamento principal de toda causalidade nessa área. No caso de algumas seitas protestantes, as tensões entre os campos econômicos e religioso são superadas, e podemos dizer que a afinidade eletiva entre os elementos dominantes em cada um deles reforça o desenvolvimento da ética ascética e do capitalismo enquanto uma forma de orientar a ação econômica.” (Quintaneiro, 1995, p.130)
Portanto, o capitalismo era vinculado a vida prática e a afinidade de valores existentes dentro da ética protestante, o que o propulsionou. Nos processos de racionalização, é indispensável citarmos a burocracia, sendo ela uma forma de organizar racionalmente a administração do Estado moderno. “Um dos meios através do qual essa tendência à racionalização se atualiza nas sociedades ocidentais é a organização burocrática. Da administração pública à gestão dos negócios privados, da máfia à polícia, dos cuidados com a saúde às práticas de lazer, escolas, clubes, partidos políticos, igrejas, todas as instituições, tenham elas fins ideais ou materiais, estruturam-se e atuam através do instrumento cada vez mais universal e eficaz de se exercer a dominação que é a burocracia.” (Quintaneiro, 1995, p. 138).
Como funciona o desencantamento do mundo?
A necessidade de se explicar racionalmente o mundo causou uma desmagificação das crenças religiosas. O desencantamento teria se dado por um processo longo de racionalização religiosa, tendo como pontapé inicial o judaísmo, e por fim o ascetismo puritano. Em certo momento, deixou definitivamente de lado o caráter religioso e considerou apenas a ciência moderna. O avanço da racionalização seria a causa cada vez maior desse desencantamento. “A humanidade partiu de um universo habitado pelo sagrado, pelo mágico, excepcional e chegou a um mundo racionalizado, material, manipulado pela técnica e pela ciência. O mundo de deuses e mitos foi despovoado, sua magia substituída pelo conhecimento científico e pelo desenvolvimento de formas de organização racionais e burocratizadas, e os valores últimos e mais sublimes retiraram-se da vida pública, seja para o reino transcendental da vida mística, seja para a fraternidade das relações humanas diretas e pessoais” (Quintaneiro, 1995,123). Com o ascetismo puritano, a salvação poderia ser alcançada a partir do divino, agora passa a ser alcançada através da aceitação de sua vocação e do uso dela como trabalho. Deixou, então, totalmente de lado a transcendência espiritual. Como o puritanismo é fruto da modernidade, carrega consigo o grande caráter Ocidental. Sua fundamentação também se daria baseada na razão, e não precisaria recorrer a nenhum outro mecanismo.

FICOU MUITO VAGA A PARTE SOBRE DESENCANTAMENTO, E FICOU QUASE TUDO PEGO DA QUINTANEIRO O RESTO. NÃO VI ONDE QUE ESTARIA PIERUCCI....



Referências Bibliográficas:

WEBER, Max. A ética protestante e o espírito capitalista. São Paulo: Martin Claret, 2005.
PIERUCCI, Flávio. O desencantamento do mundo: Todos os passos do conceito em Max Weber. São Paulo: Ed 34 . 2005
QUINTANEIRO, Tânia. Um toque dos clássicos. Belo Horizonte : Editora UFMG , 1995